Um museu é uma instituição voltada para fins sociais:
1°- o museu é uma instância de conservação
2°- o museu é uma instância de consagração
3°- o museu é uma instância de pesquisa e aprendizagem
Todo museu sofre de um contradição inerente ao seu papel: ele tanto tem por função esconder quanto revelar. Cabe ao museu guardar e preservar as peças que formam o seu acervo. Nesse sentido, ele é sempre uma espécie de arca do tesouro. E arcas de tesouros são coisas para serem escondidas, mantidas longe de olhos cobiçosos, tal como nos apresentam as histórias de cavernas ocultas e mapas perdidos, ao estilo de A Ilha do Tesouro, de Stevenson. Por outro lado, entretanto, o museu é justamente o local onde se vai para ver os tesouros que ele expõe. O museu preserva, ele esconde, protege do pó, do excesso de luz, da humidade ou do calor excessivos as peças sob a sua guarda. O museu oferece, dá ao ver dos visitandes as peças sob a sua guarda. Por isso, ele é tanto uma instância de conservação quanto de consagração. Mas não se limita à posse de objetos de valor e à sua apresentação o que ocorre em um museu. Tanto para conservar quanto para apresentar adequadamente esses objetos uma série de conhecimentos se faz necessária; o que leva ao estudo e transforma os museus em centros de pesquisa e aprendizagem.
O caráter impositivo assombra o museu
Esconder para mostrar implica transmitir a idéia de que aquilo que se tira do cofre para por a mostra é algo de extremo valor que a instituição possui. E a posse do que é valoroso está sempre associada à idéia de poder. Um poder que o museu exerce consagrando, servindo como índice de que o que lá está é importante. Assim, o poder que os objetos de valor ali guardados e exibidos confere ao museu acaba por se transformar na crença de que é o museu que define o que tem e o que não tem valor. Ou seja é da tradição dos museus que eles acabem revestidos de um caráter impositivo, mesmo quando suas direções e técnicos se esforçam para criar um clima de diálogo e de convivência democrática com o público.
Uma sombra que não se afasta e à qual o público reage acrescentanto ao olhar curioso umacerta desconfiança. É por demais comum em museus de arte ouvir comentários que põem em dúvida se esta ou aquela obra "é" ou "não é arte". Ou seja um ver que procura ir com cautela para não cair em armadilhas. E que, por isso mesmo se impede de à obra de arte se abrir para como obra de arte percebê-la. O que significa dizer que esse caráter impositivo constitui-se em um problema com o qual é preciso lidar para permitir uma mais ampla fruição por parte do público.
Um museu é um lugar de convívio
A pergunta sobre se algo é ou não é arte constitui-se, desde logo, como uma pergunta mal colocada, que não leva a lugar algum. Uma obra de arte não "é", uma obra de arte "existe". O que significa dizer que ela acontece como obra de arte somente na interação com o olhar, com a memória e com a imaginação do espectador. Ao se relacionar com a obra, o espectador a traz a vida, por isso Picasso dizia que se encontássemos o ouvido a uma pintura poderíamos ouvir o seu arfar. Cabe, portanto, ao museu propiciar essa relação de convívio entre o espectador e a obra. Guardadas as diferenças e proporções, o mesmo acontece em qualquer museu e com qualquer tipo de objeto apresentado, que só adquirirá um efetivo significado se, de alguma forma, com ele o espectador se entender.
O museu promove relações
Apesar do caráter impositivo que o assombra, o papel mais significativo desempenhado pelo museu não é o de definir valor, mas o de promover o encontro entre o que expõe e o público, bem como entre este público e o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo museu. Mais do que dizer o que isto ou aquilo é e mais do que buscar apenas o olhar curioso, o que ao longo dos últimos tempos os museus têm agido como locais em que se propicia o diálogo e o debate, sugerindo uma atitude ativa e participante aos seus freqüentadores. O que só pode acontecer, entretanto, a partir do apelo à participação e se for deixado espaço para que o espectador possa participar.
No caso dos museus de arte, cabe lembrar que uma obra de arte sempre é vista de acordo com o que muitas vozes falam a seu respeito e nela peresem falar quando com ela nos deparamos. A obra se configura de acordo com o que o artista nela coloca como sinal de sua intenção; mas nela vamos encontrar também o que sobre ela foi dito e conservamos na memória; o que o o crítico afirma; o que o museu sugere e, principalmente, o que ela desperta na imaginação daquele que com ela entra em contato.
Um museu é uma oficina em pleno funcionamento
Por trás das salas de exposições e de sua calma aparência – muitas vezes no que se poderia chamar de os porões do museu – uma série de tarefas não cessam de ser executadas, em um trabalho ora mais calmo ora mais agitado, envolvendo técnicos e profissionais os mais diversos. Obras são montadas e desmontadas, limpas, restauradas; mapas e roteiros são desenhados; documentos são catalogados e organizados; uns se debruçam atentamente sobre a pesquisa e o planejamento enquanto outros pregam, pintam, abrem caixas, acertam as luzes, em um fazer que nunca chega ao fim porque se renova e se refaz a cada passo.
De um modo geral, podemos pensar as tarefas realizadas pelo museu em função de sua execução, como tarefas internas e como ações de relacionamento com o público, embora essas últimas so ocorram a partir de toda uma reflexão e um planejamento realizado nos bastidores do museu.
a) Tarefas internas: entre os trabalhos que ocorrem no interior do museu, longe dos olhos do público. encontram-se tarefas de manutenção que implicam a conservação das obras que devem ser cuidadosamente guardadas, limpas e restauradas se for o caso, ou ainda embaladas e desembaladas em caso de itinerâncias; também são internas as tarefas de promoção que consistem tanto no planejamento de atividades quanto na produção de teoria que sirva de embasamento; resta ainda toda uma gama de atividades que compõem as tarefas administrativas que incluem desde a manutenção do almoxarifado até o controle de pessoal e a organização das atividades de direção geral do museu.
b) Relacionamento com o público: entre os vários modos de relacionamento entre o museu e o seu público, estão as várias realizações de apresentação de acervos, sejam eles acervos artísticos, de documentos, de livros ou de peças históricas, arqueológicas e outras tantas, de acordo com a definição do museu, mas é comum que além de apresentar seus próprios acervos os museus ainda costumam receber exposições vindas de fora, além disso um caminho também para a apresentação de acervos é a organização e a manutenção da biblioteca que, em alguns museus, abrange também setores de imagem e de som. Um outro aspecto do relacionamento com o público do qual os mais eficientes museus não descuidam é a atenção à formação de público e promoção do diálogo que envolve um amplo conjunto de tarefas e realizações, como serviços de atendimento ao visitante, atividades de orientação pedagógica destinadas tanto a crianças quanto a adultos, realização de seminários, mesas redondas ou encontros, promoção de oficinas, e assim por diante. Finalmente, fazem parte do relacionamento com o público as tarefas de divulgação, tais como a publicação de informativos, periódicos e livros, a manutenção de comunicação pela Internet e a veiculação de notícias pela imprensa.
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1°- o museu é uma instância de conservação
2°- o museu é uma instância de consagração
3°- o museu é uma instância de pesquisa e aprendizagem
Todo museu sofre de um contradição inerente ao seu papel: ele tanto tem por função esconder quanto revelar. Cabe ao museu guardar e preservar as peças que formam o seu acervo. Nesse sentido, ele é sempre uma espécie de arca do tesouro. E arcas de tesouros são coisas para serem escondidas, mantidas longe de olhos cobiçosos, tal como nos apresentam as histórias de cavernas ocultas e mapas perdidos, ao estilo de A Ilha do Tesouro, de Stevenson. Por outro lado, entretanto, o museu é justamente o local onde se vai para ver os tesouros que ele expõe. O museu preserva, ele esconde, protege do pó, do excesso de luz, da humidade ou do calor excessivos as peças sob a sua guarda. O museu oferece, dá ao ver dos visitandes as peças sob a sua guarda. Por isso, ele é tanto uma instância de conservação quanto de consagração. Mas não se limita à posse de objetos de valor e à sua apresentação o que ocorre em um museu. Tanto para conservar quanto para apresentar adequadamente esses objetos uma série de conhecimentos se faz necessária; o que leva ao estudo e transforma os museus em centros de pesquisa e aprendizagem.
O caráter impositivo assombra o museu
Esconder para mostrar implica transmitir a idéia de que aquilo que se tira do cofre para por a mostra é algo de extremo valor que a instituição possui. E a posse do que é valoroso está sempre associada à idéia de poder. Um poder que o museu exerce consagrando, servindo como índice de que o que lá está é importante. Assim, o poder que os objetos de valor ali guardados e exibidos confere ao museu acaba por se transformar na crença de que é o museu que define o que tem e o que não tem valor. Ou seja é da tradição dos museus que eles acabem revestidos de um caráter impositivo, mesmo quando suas direções e técnicos se esforçam para criar um clima de diálogo e de convivência democrática com o público.
Uma sombra que não se afasta e à qual o público reage acrescentanto ao olhar curioso umacerta desconfiança. É por demais comum em museus de arte ouvir comentários que põem em dúvida se esta ou aquela obra "é" ou "não é arte". Ou seja um ver que procura ir com cautela para não cair em armadilhas. E que, por isso mesmo se impede de à obra de arte se abrir para como obra de arte percebê-la. O que significa dizer que esse caráter impositivo constitui-se em um problema com o qual é preciso lidar para permitir uma mais ampla fruição por parte do público.
Um museu é um lugar de convívio
A pergunta sobre se algo é ou não é arte constitui-se, desde logo, como uma pergunta mal colocada, que não leva a lugar algum. Uma obra de arte não "é", uma obra de arte "existe". O que significa dizer que ela acontece como obra de arte somente na interação com o olhar, com a memória e com a imaginação do espectador. Ao se relacionar com a obra, o espectador a traz a vida, por isso Picasso dizia que se encontássemos o ouvido a uma pintura poderíamos ouvir o seu arfar. Cabe, portanto, ao museu propiciar essa relação de convívio entre o espectador e a obra. Guardadas as diferenças e proporções, o mesmo acontece em qualquer museu e com qualquer tipo de objeto apresentado, que só adquirirá um efetivo significado se, de alguma forma, com ele o espectador se entender.
O museu promove relações
Apesar do caráter impositivo que o assombra, o papel mais significativo desempenhado pelo museu não é o de definir valor, mas o de promover o encontro entre o que expõe e o público, bem como entre este público e o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo museu. Mais do que dizer o que isto ou aquilo é e mais do que buscar apenas o olhar curioso, o que ao longo dos últimos tempos os museus têm agido como locais em que se propicia o diálogo e o debate, sugerindo uma atitude ativa e participante aos seus freqüentadores. O que só pode acontecer, entretanto, a partir do apelo à participação e se for deixado espaço para que o espectador possa participar.
No caso dos museus de arte, cabe lembrar que uma obra de arte sempre é vista de acordo com o que muitas vozes falam a seu respeito e nela peresem falar quando com ela nos deparamos. A obra se configura de acordo com o que o artista nela coloca como sinal de sua intenção; mas nela vamos encontrar também o que sobre ela foi dito e conservamos na memória; o que o o crítico afirma; o que o museu sugere e, principalmente, o que ela desperta na imaginação daquele que com ela entra em contato.
Um museu é uma oficina em pleno funcionamento
Por trás das salas de exposições e de sua calma aparência – muitas vezes no que se poderia chamar de os porões do museu – uma série de tarefas não cessam de ser executadas, em um trabalho ora mais calmo ora mais agitado, envolvendo técnicos e profissionais os mais diversos. Obras são montadas e desmontadas, limpas, restauradas; mapas e roteiros são desenhados; documentos são catalogados e organizados; uns se debruçam atentamente sobre a pesquisa e o planejamento enquanto outros pregam, pintam, abrem caixas, acertam as luzes, em um fazer que nunca chega ao fim porque se renova e se refaz a cada passo.
De um modo geral, podemos pensar as tarefas realizadas pelo museu em função de sua execução, como tarefas internas e como ações de relacionamento com o público, embora essas últimas so ocorram a partir de toda uma reflexão e um planejamento realizado nos bastidores do museu.
a) Tarefas internas: entre os trabalhos que ocorrem no interior do museu, longe dos olhos do público. encontram-se tarefas de manutenção que implicam a conservação das obras que devem ser cuidadosamente guardadas, limpas e restauradas se for o caso, ou ainda embaladas e desembaladas em caso de itinerâncias; também são internas as tarefas de promoção que consistem tanto no planejamento de atividades quanto na produção de teoria que sirva de embasamento; resta ainda toda uma gama de atividades que compõem as tarefas administrativas que incluem desde a manutenção do almoxarifado até o controle de pessoal e a organização das atividades de direção geral do museu.
b) Relacionamento com o público: entre os vários modos de relacionamento entre o museu e o seu público, estão as várias realizações de apresentação de acervos, sejam eles acervos artísticos, de documentos, de livros ou de peças históricas, arqueológicas e outras tantas, de acordo com a definição do museu, mas é comum que além de apresentar seus próprios acervos os museus ainda costumam receber exposições vindas de fora, além disso um caminho também para a apresentação de acervos é a organização e a manutenção da biblioteca que, em alguns museus, abrange também setores de imagem e de som. Um outro aspecto do relacionamento com o público do qual os mais eficientes museus não descuidam é a atenção à formação de público e promoção do diálogo que envolve um amplo conjunto de tarefas e realizações, como serviços de atendimento ao visitante, atividades de orientação pedagógica destinadas tanto a crianças quanto a adultos, realização de seminários, mesas redondas ou encontros, promoção de oficinas, e assim por diante. Finalmente, fazem parte do relacionamento com o público as tarefas de divulgação, tais como a publicação de informativos, periódicos e livros, a manutenção de comunicação pela Internet e a veiculação de notícias pela imprensa.
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