Win Wenders entende que o turista tem um olhar maligno, porque se trata de um olhar que não tem ponto de vista. Ou seja, quem não se situa e não interroga aquilo para o qual olha a partir de um ponto de vista, acaba por simplesmente não ver. E, principalmente no caso de uma obra de arte, não ver equivale a impedir que a obra venha à vida. Daí, a malignidade que aponta o cineasta.
Ver é dialogar com a obra e não inventar em vôo livre
Imaginar sempre é preciso ao ver, mais ainda quando se trata de uma obra de arte. A obra propõe caminhos que podem ser seguidos das mais diversas maneiras, e nela podemos ver e ouvir também de diversas maneiras. Mas dar asas à imaginação, tendo a obra apenas como pretexto, tal como fazemos quando imaginamos figuras nas nuvens, não é dialogar com a obra.
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Modos de não ver
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Heidegger apontava a necessidade de romper com pré-conceitos para ter condições de pensar. Do mesmo modo é preciso romper com certas atitudes para conseguir chegar ao ver. Entre as mais comuns dessas atitudes, verdadeiras maneiras de não-ver, encontramos:
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acreditar que sabe o que vai ver
sentir-se mal por não entender (achar que está sendo feito de bobo)
estar à procura de curiosidades
preocupar-se com critérios de avaliação (bom, maus, etc)
olhar para obras como se olha para ruínas
olhar apenas para poder dizer que viu
olhar para memorizar, ou para aprender como quem estuda esforçadamente
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Caminhos para o ver
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Mas se há modos de não ver que se tornaram comuns, também não faltam caminhos a ser trilhados para chegar a um ver que se entende com o que está sendo visto, entre eles:
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despir-se de pré-conceitos
ver como se fosse pela primeira vez
olhar com olhar perplexo
olhar com atenção flutuante (sem se tensionar no esforço de querer entender)
deixar a imaginação à vontade (não se auto-censurar)
dialogar com o que se está admirando
perguntar-se por que é desta maneira? (ao invés de o que é isto?)
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